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Uma notícia que nos interessa a todos… [Obrigado Liana]


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O programa do Governo PS inclui como objectivo a criação de um MBA de nível internacional em Portugal. Aparentemente, a escola escolhida pelo Governo socialista para criar este MBA seria a “nossa” Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa. Sei que a minha opinião é algo enviesada, mas parece-me a escolha lógica, dado que o actual MBA da Nova é a principal referência nacional a este nível, a própria Faculdade de Economia tem, de há algum tempo para cá, colocado os seus dois cursos no topo dos rankings nacionais (sendo também a instituição nacional que aparece melhor classificada em rankings internacionais da especialidade), além de que se trata da única instituição nacional com acreditação EQUIS. Quanto ao objectivo do Governo em si, concordo inteiramente, pois a sua concretização permitiria a credibilização do ensino de economia e gestão em Portugal, a formação de gestores de nível internacional, o que, em última análise, seria útil para fomentar a inovação e melhorar a imagem externa das empresas e gestores portugueses.

Mas o que me proponho comentar é um artigo de opinião, da autoria de Avelino de Jesus, sobre este objectivo de Governo. Deste artigo, ressaltam três ideias essenciais:
- O autor também concorda com este objectivo do Governo;
- O autor é favorável ao fim da autonomia das instituições de ensino superior público em Portugal;
- O autor defende a concentração de instituições (nomeadamente das três escolas públicas de economia e gestão localizadas em Lisboa).

Não deixando de concordar com muito do que se diz no referido artigo, o que me choca é a ideia de as instituições de ensino superior perderem a sua independência. Será que o Estado deveria participar directamente na sua gestão? Ocorrem-me milhões de razões para que isso não deva acontecer, principalmente tomando em consideração que estamos a falar da Administração Pública Portuguesa… Será que se deveria condicionar o pensamento científico às vontades inconstantes dos sucessivos elencos governativos? A cultura académica é essencial para gerar inovação, para investigar e explicar porquês, para sugerir novos caminhos e para levantar o dedo acusador quando tal é necessário, pelo que não pode estar sujeita a ligações promíscuas, quer institucionais, quer a nível de doutrinas políticas.

Quanto à concentração de instituições, esta com aspectos mais práticos, também não me agradaria que esta viesse a acontecer. Antes de mais, assumindo (que palavra tão querida aos economistas) que a nova escola teria que formar anualmente o mesmo número de gestores e economistas que as três escolas em separado, estaríamos na presença de uma mega-escola, o que tipicamente não traz bons resultados para a qualidade de ensino, especialmente por se correr o risco de perder algo que é essencial ao bom funcionamento de uma escola: a comunicação interna. Escusado será dizer que esta escola necessitaria de uma espaço físico com proporções bastante diferentes daquelas que qualquer uma das três escolas actuais dispõe, com custos associados que diluiriam parte dos eventuais benefícios provenientes de economias de escala resultantes da fusão (as quais aconteceriam principalmente em áreas de menor valor acrescentado das instituições, como por exemplo as funções administrativas e demais funções de suporte). Finalmente, deixaria de existir a rivalidade (chamemos-lhe competição) entre as três escolas, que as obriga, continuamente, a superarem-se, a melhorarem os seus índices de eficiência e qualidade. Além disso, três escolas diferentes são isso mesmo: três escolas DIFERENTES, três prismas diferentes, três formas de encarar a ciência económica (e sabemos que a diversidade de pensamentos é um elemento fulcral do progresso científico, pois uma forma diferente de pensar pode ajudar a criar uma resposta onde outros ficaram estagnados). Mais ainda, uma única escola seria um risco, pois se esta não conseguisse, de facto, ser competitiva internacionalmente, sem concorrentes nacionais acabaria por adormecer, tornando-se numa espécie de monstro preguiçoso.

Sei que este foi um longo discurso, mas pela importância que todas as questões relacionadas com o ensino superior assumem, pela existência de opiniões divergentes, estes assuntos devem dar que pensar aos decisores e a cada um de nós. Neste caso e porque esta questão me toca de forma próxima, não consegui deixar de o fazer, manifestando a minha opinião.

[P.S. Pedindo desculpa por vos agredir com o meu desejo oculto de ser cronista, desde já prometo não voltar a escrever textos desta natureza e sequer de dimensão aproximada até ao final, pelo menos, do corrente mês!]


5 Responses to “Uma notícia que nos interessa a todos… [Obrigado Liana]”

  1. Blogger Daniel 

    "[P.S. Pedindo desculpa por vos agredir com o meu desejo oculto de ser cronista, desde já prometo não voltar a escrever textos desta natureza e sequer de dimensão aproximada até ao final, pelo menos, do corrente mês!]" quer dizer que depois de amanhã temos mais um post muito bom!! Anhas, concordo bastante com tudo o que disseste, e acho que o caso das faculdades de economia em Lisboa já está impregnado demais para se modificar. As 3 faculdades que existem são totalmente diferentes nos métodos e objectivos. Eu acho que este é mais um caso do carimbo, ou seja, eles querem por o carimbo das universidades (campus) americanas, em Lisboa. Isto porque já viram que as ciencias económicas nao se deslocam tal como as outras ciencias, para campus fabricados pelo homem. Tens o caso da universidade de aveiro, a de vila real, a de faro, mesmo a de coimbra. Se fores analisar bem em todas elas o curso de economia ou nao funciona bem (com professores/métodos antiquados)e em muitos casos a propria faculdade desloca-se do campus.
    Outra questão que aqui surge é a da qualidade dos professores. Em Lisboa estamos claramente em vantagem, isto porque ao contrário de um curso de engenharia civil ou mesmo medicina, os economistas não querem sair de Lisboa (lá está o efeito aspirador de Lisboa, que suga e ao mesmo tempo quem para lá vai aspira ser alguém). Então qual é a melhor solução? Um mega processo de fusão de faculdades? Acho que tudo terá de ser muito bem pensado, não esquecendo quem são os grandes perdedores se isso acontecer, a Católica (e os seus investidores). Bom tema anhas. Um abraço.

  2. Blogger daimon 

    Fico à espera de mais posts assim!!!

  3. Blogger pauloabx 

    destaco apenas umas das frases deste artigo, que na minha opinião acaba por ser reveladora:
    "Tomara o país que este objectivo do governo fosse para valer e significasse o seu real empenho em fazer surgir uma e grande e competitiva escola de gestão em Portugal."
    Na minha opinião, o problea está exactamente aqui. Uma escola de gestão não pode nem deve ser, simultaneamente grande e competitiva... ou se é um ou outro. E, neste ponto, eu voto competitivo.
    Concordo plenamente com o autor quando diz que há que se rever a "famosa autonomia universitária", mas pelas razões precisamente contrárias. O problema das universidades é a sua fala e não o excesso de autonomia...
    Avelino de Jesus propõe "um novo modelo de gestão universitária", com o que concordo, mas depois acha que para isso é necessário dar as rédeas ao Governo, uma clara contradição.
    "Suspeita-se que se vise promover a escola de gestão onde o governo preferencialmente recruta, dela sendo originário o ministro das Finanças: a faculdade de economia da Universidade Nova de Lisboa. A suspeita avoluma-se: esta faculdade obteve recentemente uma certificação internacional e estranha-se esta súbita e inesperada conversão do PS aos rankings."
    Isto ainda é o ponto mais escandaloso do texto... Parece que Avelino Jesus acha que se devia penalizar e não premiar a Faculdade de Economia pela sua excelência... Pronto, cada um tem a sua opinião...
    E, ao contrário de do que o Daniel diz, acho que a Católica seria a grande beneficiária e não a perdedora com a criação de um monstro das três faculdades de Economia de Lisboa. Repare-se que estas três faculdades juntas teriam para cima de 10000 alunos, algo que me parece demasiado monstruoso. Infelizmente, nota-se a clara tendência portuguesa para sobrevalorizar a criação de muitos licenciados, subvalorizando o valor de boas licenciaturas...
    Ainda no artigo Avelino Jesus afirma "Relembremos que, só na cidade de Lisboa, o Estado possui 3 escolas, todas escandalosamente ineficientes, não cooperantes entre si e trabalhando, frequentemente, umas contra as outras, com evidente prejuízo para o país."
    Será que o prejuízo é assim tão "evidente"? Será que Avelino Jesus não pensará que é desta saudável competição que se criam as grandes ideias?

  4. Anonymous Anónimo 
  5. Anonymous Anónimo 

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